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O que é símbolo?

Atualizado: 5 de mai. de 2021



Para entendermos melhor a astrologia, primeiramente precisamos ter bem elucidada a matéria dos símbolos, matéria que fundamenta e permite a prática astrológica. A chave de leitura simbólica dos elementos componentes do cosmos possibilita a leitura dos astros dentro da perspectiva oracular, ramo do qual a astrologia participa. É por meio dos símbolos - e de seus significados - que o astrólogo adentra em estratos da realidade e os traduz. Nos perguntamos: afinal, o que é símbolo?




O sentido etimológico de símbolo (symballo) é o de “pôr junto e jogar”, “atirar junto”. Na antiguidade, quando os gregos faziam um contrato, quebravam um objeto em duas partes e cada pessoa permanecia com uma parte. A junção de ambas as partes, representava a permanência do contrato: um aspecto visível (as partes unidas de um mesmo objeto) espelhava um segundo aspecto, realizando-o e consumando-o (a permanência do contrato). Dessa forma, a constituição de um símbolo se dá em dois termos: um primário e um secundário, sendo que o sentido secundário é dependente do primário que lhe fornece sentido.


Ricoeur indica que a teoria do símbolo é complementar à teoria da metáfora sendo que a bifurcação que as diferencia se encontra nos respectivos pontos de partida e nas diferentes funções exercidas: a metáfora é “a aplicação a uma coisa de um nome que pertence a outra”, há uma apreensão de semelhanças e ao ser acolhida por uma comunidade linguística, a metáfora torna-se trivial e posteriormente, morre; diferentemente, o símbolo está vinculado ao cosmos e deriva da estrutura real do universo, por mergulhar as suas raízes nas constelações da própria vida, o símbolo não morre, mas se transforma.


Dadas essas informações preliminares, podemos estabelecer, seguindo Eliade, características e funções que os símbolos possuem e exercem. Um símbolo é um ponto convergente de sentidos e é um expansor de significados por expressar o incondicional unindo conteúdo senvível com conteúdo não sensível. Se o símbolo está vinculado aos cosmos, ele conduz o ser-humano de uma situação particular à uma situação universal e vice-versa, situando-o nas balizas da história e existência, e por acumular sentidos em vez de seccioná-los em conceitos, o símbolo funciona como uma porta que abre níveis da experiência e da realidade.


É por seguir essa “lei de correlações” entre a criação e a ordenação presente que quando dizemos primavera, simbolicamente, estamos dizendo do renascimento. Quando pensamos no sol, também pensamos nos olhos, quando citamos o sémen, citamos também as sementes ou o útero e a terra arável. O símbolo se funda na estrutura real do universo e correlaciona o microcosmos com o macrocosmos. Ele condensa sentidos e “junta” elementos o que faz com que a “presença” de um, corresponda à presença do outro.









 
 
 

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